O BRIC da Europa

Nesse mês escreverei sobre a economia da Turquia, que além de estar mostrando um crescimento econômico invejável tem uma população jovem e ávida por consumo. Para muitos a Turquia já é uma das mais importantes economias do Velho Continente, e foi chamada de o "BRIC da Europa" pelo primeiro ministro britânico David Cameron, fazendo uma referência ao grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Para termos uma ideia em números, o ritmo turco já é comparado ao da China, onde no segundo trimestre do ano passado, o crescimento do PIB foi igual à expansão do país asiático - 10,3% (dados retirados da revista Exame-Fev/11). Dentre as diversas razões desse crescimento estão os setores da indústria, construção civil e serviços. Os maiores motores do progresso ficam a cargo da indústria de veículos, cimento, eletroeletrônicos, móveis e vestuários, consolidando a Turquia como um dos maiores produtores europeus desses setores. Além disso, não podemos deixar de relatar o setor de turismo, onde podemos conhecer um dos mais belos pontos turísticos do mundo, a Mesquita Azul, que faz parte da cidade que já foi conhecida como Constantinopla. Para garantir esse crescimento em longo prazo, um dos grandes desafios estará em resolver a questão dos empregos, pois hoje, um em cada dez turcos se encontram fora do mercado formal, isto representa a segunda maior taxa de desemprego da Europa, ficando atrás somente da Espanha. Outra tarefa é investir em educação, pois enquanto na União Europeia, 23% da sua força de trabalho possui ensino superior, na Turquia esse número reduz para 13%. Diante de tudo isso e do consumo do mercado global, fica uma pergunta para refletirmos: Será que o islã e o capitalismo são realmente incompatíveis?

Coluna para o Jornal Cidadania de Antônio Prado - Edição Março de 2011.